Porque me inquietas

Porque me inquietas, coração,

Na manhã  que vai nascer,

Na noite que me traz sonhos

Que não poderei  viver?

Sossega ,meu coração,

Meu coração inquieto,

Já passou o vendaval

Da paixão e do desejo…

Quebraram-me as minhas asas

Roubaram-me os meus anseios,

Mas tu resistes e teimas

Em libertar-me dos freios…

Meu coração inquieto,

Não queiras rasgar –me a alma…

Deixa que a vida prossiga

Desatenta, lenta , calma…

Cândida Esteves Soares 

outubro de 2013

DIA DA ALIMENTAÇÃO

Semana da Alimentação

Ano Letivo 2013/14

A equipa do Projeto da Educação para a Saúde do AECA vai levar a cabo a dinamização da Semana da Alimentação, de 14 a 18 de outubro de 2013, cujas atividades são as seguintes:

Dia

Hora

Local   – Escola Sede Atividade

14

10h00 Auditório Palestra   sobre Regras e Hábitos para uma Alimentação Saudável dirigida pelo Dr.   Fernando Matos para os alunos do ensino secundário.

15

10h00 Auditório Palestra   sobre comportamentos para uma vida saudável proferida pela Dra. Margarida   Meneses para os alunos ensino básico.

16

Manhã Sala   do aluno e refeitório Preparação   de uma sobremesa saudável pelos alunos.

Momento   musical proporcionado por alunos da escola.

Almoço   de confraternização.

17

10h00 Pavilhão Aula   de aeróbica dinamizada pela professora Elisabete Lezon para a comunidade   educativa.

18

Manhã Sala   dos professores Feira   da Fruta

A (má) gestão florestal, os incêndios e o futuro de Portugal

O verão de 2013 chegou ao fim com as matas portuguesas consumidas num mar de fogo, ao longo de muitos dias, apesar dos enormes gastos com meios de ataque, como aviões e carros de bombeiros, com enormes prejuízos económicos, ambientais e sociais e, sobretudo, com a morte de várias pessoas.

Digamo-lo frontalmente: com o desmazelo a que estão sujeitas as nossas florestas, com a acumulação de matéria altamente combustível ano após ano, com espécimes altamente inflamáveis como o pinheiro bravo e o eucalipto, com a desertificação do interior rural, onde só restam idosos, muitos deles com limitações de locomoção, por doença e idade, e também consequência de vagas de calor que parecem tornar-se cada vez mais frequentes e intensas, lutar contra o fogo quando as temperaturas ambientais sobem acima dos 35 º C e a humidade atmosférica é muito baixa, é tarefa praticamente impossível. Dito isto, parece que estamos condenados ao inferno literal, nos meses de julho e agosto. Não é bem assim. E se até agora os factos parecem confirmar a inevitabilidade da desgraça, a verdade é que o desastre continuado a que temos assistido se deve à responsabilidade de todos nós e dos governantes que temos escolhido. O que se pode fazer então?

A mais importante medida é gerir a floresta. Segundo as previsões dos climatologistas, a tendência é para a média das temperaturas continuar a subir nas próximas décadas. Assim, vale a pena pensar nas diferentes regiões do país, no coberto vegetal que melhor se adaptaria a cada uma delas e na rendibilidade dos produtos silvícolas, em face da ocupação antrópica (características da população humana) de cada zona.

No sul do país, particularmente no Alentejo, os montados de sobro e azinho são bem adequados à secura dos solos e também à resistência ao fogo, particularmente no caso do sobreiro. A bolota é um alimento útil na criação de porcinos e estes animais contribuem para a limitação do crescimento de vegetação rasteira. Acresce que a cortiça é um bem de elevado valor económico, de que Portugal é o primeiro produtor mundial. Conservar o montado existente e expandi-lo a outras regiões de verões quentes e muito secos, fomentando atividades como a exploração de cortiça, de madeira para combustível, a caça, a pastorícia, a apicultura, etc., parece razoável.

No centro e norte do país montanhoso, onde os incêndios têm deixado muitas zonas despidas de coberto arbóreo, outrora revestido de árvores como os castanheiros e os carvalhos, estes largamente abatidos para construção das naus com que se fizeram os descobrimentos e, muito posteriormente, para obtenção das travessas das linhas de caminho de ferro, devastação que se prolongou até final do século passado, as zonas hoje florestadas são-no essencialmente com pinheiro bravo e eucalipto, cujas culturas se expandiram enormemente durante o século vinte, o pinheiro a partir do seu início e o eucalipto a partir da segunda metade. O pinheiro-bravo é fonte de rendimento importante de madeira, resina e pasta de papel e o eucalipto sobretudo de pasta de papel. Porém, a florestação com pinheiro-bravo e eucalipto com a tendência do clima para aquecer, sem desbaste e remoção periódica da matéria vegetal seca acumulada no solo, consequência da desertificação humana do interior do país, tornou cada pinhal ou eucaliptal num “paiol de pólvora” pronto a deflagrar à mais leve ignição, seja ela criminosa ou natural ou resultante de descuido. Parece pois que as zonas do centro e norte do país, com características mais atlânticas (mais húmidas) ou mais mediterrânicas (com estações secas mais longas) deveriam receber espécimes florestais mais convenientes e variados, escolhidos entre os carvalhos, o castanheiro ou mesmo o sobreiro ou outras árvores que, consoante os locais, fossem vantajosas: coníferas de agulha curta, bétulas, medronheiros, etc. Os carvalhos ainda recentemente foram entre nós fonte de madeira útil e muito apreciada no fabrico de móveis e de barrotes de grande resistência e durabilidade para a construção bem como de matéria lenhosa para combustão. E o castanho também, além da produção de fruto que, noutros tempos, foi componente importante da alimentação dos portugueses e hoje pode ser usado na confecção de variados produtos alimentares. De resto, também a bolota chegou a ser usada na alimentação humana, até no fabrico de pão! Mas o principal benefício da florestação com caducifólias residiria na sua maior resistência à combustão e, por essa via, na prevenção de incêndios. Naturalmente, para além das escolhas das espécies arbóreas, a prevenção de fogos implica sempre a remoção de matos rasteiros, a construção de faixas de contenção e muito ganharia, seguramente, com o recurso adequado ao uso do fogo preventivo, durante as estações (mais) húmidas.

Obviamente, tomar decisões fortes sobre a floresta implicaria tocar em poderosos interesses económicos e em postos de trabalho que existem, para além das mentalidades, mas tinha a vantagem de proporcionar novas possibilidades económicas e novas perspectivas de emprego. Tirando a limpeza periódica obrigatória e atempada das matas, pelo menos em zonas mais críticas, e a punição mais efetiva do fogo criminoso, não sei que outras soluções se possam seguir. Sei, no entanto, que não podemos assistir impotentes à destruição do país pelas chamas infernais de cada estio.

Entretanto, e face à incapacidade ou impossibilidade das autarquias, seria bom chamar os cidadãos diretamente à colaboração, acautelando efetivamente, em letra de lei, habitações e pessoas do perigo de incêndio florestal: relativamente a casas de habitação devia a legislação estabelecer um perímetro de limpeza obrigatório, com a medida conveniente, a executar pelos proprietários dos terrenos até fins de junho, mas que, em caso de incumprimento, pudesse ser feito pelos donos ou ocupantes de cada casa, revertendo, nesta situação, em seu proveito, os materiais colhidos nas operações de limpeza.

Entretanto resta-nos chorar os mortos e aguardar as primeiras chuvas, o que é – além do prejuízo, incalculável – imensamente triste.

Não termino este texto sem a homenagem devida à coragem e abnegação dos soldados da paz.

José Batista da Ascenção.

Referências:

“Os Carvalhais – Um património a conservar”. Árvores e florestas de Portugal, vol 2. Edição: Público, Comunicação Social, SA e Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento. Vários autores. Lisboa. Abril de 2007.

“Os Montados – Muito para além das árvores”. Árvores e florestas de Portugal, vol 3. Edição: Público, Comunicação Social, SA e Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento. Vários autores. Lisboa. Abril de 2007.

“Pinhais e eucaliptais – A floresta cultivada”. Árvores e florestas de Portugal, vol 4. Edição: Público, Comunicação Social, SA e Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento. Vários autores. Lisboa. Maio de 2007.

“Do castanheiro ao teixo – As outras espécies florestais”. Árvores e florestas de Portugal, vol 5. Edição: Público, Comunicação Social, SA e Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento. Vários autores. Lisboa. Maio de 2007.

“Proteger a floresta – Incêndios, pragas e doenças”. Árvores e florestas de Portugal, vol 8. Edição: Público, Comunicação Social, SA e Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento. Vários autores. Lisboa. Maio de 2007.

OFERTA FORMATIVA PARA 2013/2014 na ESCA

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Cerimónia de entrega de prémios

Premios

Vencedores do concurso de poesia

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Cidadania: uma pedra no caminho?

Seminário “Cidadania: uma pedra no caminho?”

 

No passado dia 3 de maio de 2013, decorreu no auditório do Agrupamento de Escolas Carlos Amarante, o seminário “Cidadania: uma pedra no caminho?”

Este evento decorreu no âmbito do ano europeu do cidadão, cuja organização surgiu de uma colaboração entre o Centro Europe Direct de Ponte de Lima, a Biblioteca e os Grupos de Educação Especial deste agrupamento de escolas.

Importa referir que a acessibilidade foi garantida a todos os participantes, durante a realização do seminário, dado que foi fornecida documentação impressa em Braille a todos os cegos, e assegurada a tradução para voz e para Língua Gestual Portuguesa, pelos intérpretes da escola, Marisa Moreira, Susana Branco, Susana Rodrigues e Eduardo Coelho.

A atividade foi oficialmente aberta pela presidente da CAP, professora Hortense Santos, que acompanhou os convidados, na visita à exposição da pintora surda convidada, Eliana Teixeira.

O primeiro painel “Que caminhos para a Europa?” abriu o seminário, sendo constituído pelo engenheiro Abraão Veloso e pelo eurodeputado José Manuel Fernandes, contando com o jornalista Paulo Monteiro, diretor do Correio do Minho, como moderador.

        Ao longo esta primeira parte, foram abordados temas como o papel dos centros Europe Direct no processo de construção europeia e a crise e futuro da Europa, seguido de um breve debate.

Cerca das 11h50, abriu-se o segundo painel intitulado “As pessoas com deficiência e a cidadania ativa: Que caminhos?”.

Ana Magalhães, professora especializada na área da deficiência auditiva, moderou este painel, que teve como oradoras Marisa Martinho, formadora de Língua Gestual Portuguesa, na ESCA e Eliana Teixeira, pintora, ambas surdas profundas, que neste seminário tiveram oportunidade de partilhar as suas histórias e experiências de vida, de formas distintas: a primeira fez-se ouvir, através da sua própria voz, deixando toda a plateia emocionada, pelo entusiamo e alegria refletido nas suas palavras simples, mas genuínas e a segunda fez-se ouvir através das mãos, em LGP, e pela intérprete Susana Branco que fez a tradução em simultâneo, para voz.

Estas duas palestrantes partilharam as suas histórias e experiências de vida, comparando os direitos das pessoas surdas em Portugal e no Mundo.

A sessão de encerramento foi presidida pelo coordenador da Biblioteca, o professor Sérgio Morais, que partilhou com o público uma pequena história, guardada desde a sua infância “O passarinho que transportava gotas de água para apagar um grande incêndio”, cuja lição de moral se apropriava ao tema do seminário, deixando toda a plateia a refletir.

O seminário terminou, com a fantástica atuação dum grupo de alunos da CERCI Fafe, que dançaram artisticamente, ao som de Beethoven, exibindo as vinte e sete bandeiras dos diferentes países da União Europeia.

Copiemos o passarinho e façamos a nossa parte!

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