As Três Vidas

As 3 vidasMilhouse Pascal — o apelido não é indiferente — vive na Quinta do Tempo — uma também propositada metáfora — e é mentalista. Exactamente a meados da narração, feita por uma das principais personagens, percebe-se do que consta a actividade mental de Milhouse Pascal: com o auxílio de alucinogénios, cria «falhas, buracos negros na realidade», de modo a induzir em determinadas pessoas, criteriosamente escolhidas entre os inúmeros requerentes, o «estado gama» durante o qual se vislumbra o «caudal histórico dos acontecimentos, a simultaneidade de todas as coisas, o acesso a universos paralelos nos quais estamos, embora não saibamos».

As personagens, incluindo o narrador, passam, portanto, por múltiplas vivências que abrangem mistério, suspense, amor, escolhas, abandono, crime e castigo. Em Portugal, mas também em Nova York, nos anos 80, onde Camilla Milhouse Pascal, amada do narrador, habita um andar sobre a livraria «Three Lives Bookstore», ou, como ela diz, vive «em cima de três vidas», expressão polissémica que se aplica também às três personagens principais.

Porém, enquanto Camilla dedica a sua terceira vida à difícil e perigosa arte de andar na corda bamba, o narrador torna-se bibliotecário, casa, tem 2 filhas e, no final, encontramo-lo a tentar juntar os destroços das suas existências. Pascal morre a ler e, logo a seguir, um incêndio destrói a Quinta do Tempo e a sua comprometedora biblioteca.

Estas três personagens e outras mais são os agentes desta «fábula». Fábula da condição humana que a razão e as suas coordenadas, Tempo e Espaço, envolvem em mistério. E este chegará ao fim quando tiver que chegar, «nem mais cedo, nem mais tarde». Entenda-se com isto o que se quiser entender.

Adelaide Vaz de Carvalho

Larsson, Stieg – Millenium 1 – Os Homens que odeiam as Mulheres

Os Homens Que Odeiam as Mulheres
Millennium I
de Stieg Larsson

Sinopse
O jornalista de economia MIKAEL BLOMKVIST precisa de uma pausa. Acabou de ser julgado por difamação ao financeiro HANS-ERIK WENNERSTÖM e condenado a três meses de prisão. Decide afastar-se temporariamente das suas funções na revista Millennium. Na mesma altura, é encarregado de uma missão invulgar. HENRIK VANGER, em tempos um dos mais importantes industriais da Suécia, quer que Mikael Blomkvist escreva a história da família Vanger. Mas é óbvio que a história da família é apenas uma capa para a verdadeira missão de Blomkvist: descobrir o que aconteceu à sobrinha-neta de Vanger, que desapareceu sem deixar rasto há quase quarenta anos. Algo que Henrik Vanger nunca pôde esquecer. Blomkvist aceita a missão com relutância e recorre à ajuda da jovem LISBETH SALANDER. Uma rapariga complicada, com tatuagens e piercings, mas também uma hacker de excepção. Juntos, Mikael Blomkvist e Lisbeth Salander mergulham no passado profundo da família Vanger e encontram uma história mais sombria e sangrenta do que jamais poderiam imaginar.

Crítica
Este foi um dos livros que mais me marcou nos últimos tempos. Gosto de policiais, mas não é o meu género literário preferido. Comecei a ler este livro porque tinha uma boa crítica, e porque a minha mãe me falou dele (mais uma vez, um livro indicado pela minha mãe..e um livro muito bom).
“Millennium não é um livro policial no sentido habitual do termo. O estilo de Stieg Larsson é minucioso, detalhado, lento. Como se dispusera de todo o tempo do mundo para apresentar aos leitores as personagens e tudo o que as rodeia. Detalhes, pequenas histórias, situações paralelas, descrições exaustivas. Minúcia no detalhe, em suma.” Este excerto feito por Helena Vasconcelos no jornal Público descreve exactamente como é a escrita de Larson.
Um escritor muito minucioso, que constrói um conjunto de histórias paralelas, que no final acabam por se intercalar, tendo um desfecho fascinante e nada esperado. Nas primeiras cem páginas são apresentadas as personagens, o contexto. Depois disso é que a história começa a ser contada. As páginas seguem a um ritmo alucinante, onde vão aparecendo intrigas e mistérios, e de repente, chegamos ao um final completamente brutal e inesperado. “Vemos” crimes horrendos e histórias de família atrozes, que nos deixam perplexos com o que o ser humano é capaz de fazer. É também descrita uma das muitas facetas do crime nos altos cargos económicos do país. Uma personagem importante no mundo político e económico, que afinal domina um submundo de crimes ligados a dinheiro.
Personagens fascinantes, como um jornalista determinado a apontar aqueles que tem uma vida oculta criminosa, e uma jovem hacker, com piercings, tatuagens e roupas bastante pouco ortodoxas, que é discriminada, apesar de possuir uma inteligência e destreza únicas, uma escrita simples, minuciosa e cativante, dão origem a uma história de tirar a respiração.

Um livro que nos agarra até ao último segundo!

Dados sobre o autor e os restantes livros

Para quem gostou de ler este livro, posso dizer que faz parte de uma trilogia. Aliás, a ideia do escritor era serem 10 livros. Quando acabou o terceiro, entregou-os à editora, e passado pouco tempo morreu vítima de um ataque cardíaco. Tragicamente, não viveu para assistir ao fenómeno mundial em que a sua obra se tornou.(Na altura da sua morte houve imensos boatos que indicavam que Stieg teria sido morto pelo submundo, porque, talvez, se tenha baseado em factos reais para escrever os livros…não apenas pelo tema deste livro, mas porque nos restantes aborda o tráfico de mulheres, drogas entre outros crimes)

Stieg Larsson já tinha começado a 4ºlivro, tinha escrito o início e o fim e faltavam lhe algumas partes do “recheio”. Muito leitores pediram à companheira de Stieg, Eva Gabrielsson, para escrever este livro. Ela mostrou-se optimista, mas a jurisdição Sueca não permitiu esta solução. Penso que esteja relacionado com direitos de autor. Por isso, para os fãs desta saga espectacular, temos de ficar à espera que este problema burocrático se resolva, para pudermos deliciar-nos com mais um livro.

Raquel Gama

Informação retirada do meu blog: http://kelaraparigadoslivros.blogspot.com/

Partida de um Professor

Há dias morreu um colega nosso.

Interrogações invadiram-me quando vejo dois autocarros perto da igreja e, na entrada desta, alunos do secundário vestidos de preto a entregarem marcadores de livros. Os marcadores foram desenhados com a fotografia do Professor e um dos seus poemas, porque ele também era poeta!

Ao saber que a ideia desses marcadores não tinha partido da família, as minhas interrogações passaram a espanto e depois a admiração.

A igreja tornou-se pequena para acolher um número tão grande de alunos.

Silenciosamente sentei-me no meio deles (únicos lugares sentados existentes) e assisti à perfeita integração do silêncio comovido e muitas vezes lacrimoso destes alunos.

A plenitude encheu a igreja, e talvez só alguém viraria a cabeça, se fosse entoada a viva voz a Ave Maria de Schubert. Aí aconteceria a perfeição, mas como esta não existe, continuamos com a plenitude e a paz que por vezes é difícil encontrar.

No final do acto litúrgico os alunos leram com comoção as palavras que se seguem, deixando uma intensa, pacífica e grata homenagem “ao grande PROFESSOR e grande HOMEM, Ademar Santos”.

Nós professores, de tantas escolas diferentes, trazíamos a alma cheia da gratidão e do bem querer destes alunos ao seu Professor.

Alunos que, por certo, aprenderam com o Professor a serem assim.

A Estes Alunos

e à Escola que encerrou pela morte do Professor – Escola Secundária Camilo Castelo Branco –

o nosso obrigado.

Manuela Gama

O Anibaleitor

O AnibaleitorO Anibaleitor

Rui Zink

Editorial Teorema, 2010

Sinopse:
O Anibaleitor conta a história de um jovem que, fugido à “guarda do reino”, embarca numa viagem em busca de um mítico e fabuloso animal, o Anibaleitor. Livro de aventuras, é acima de de tudo livro da aventura da leitura.

Crítica:
Este foi o livro que escolhi para ser o meu primeiro post. Podem achar estanho visto não ser um livro muito conhecido, um escritor que esteja “na moda”. Mas postei este livro por três razões: porque foi um livro que li recentemente, e por isso tenho a história mais presente, para iniciar este blog com um escritor português, e porque penso que não haveria livro mais actual que mostrasse o significa o que é o gosto pela leitura!

Este livro é cheio de um humor muito típico de Rui Zink, tornando o livro muito leve, agradável e fácil leitura (Posso dizer que o li em pouquíssimas horas).
Não é um livro nem para crianças nem para adultos; Rui Zink descreve-o como “que o adulto o leia como se fosse um relato para jovens, e o jovem como se fosse uma novela para adultos”. Tem uma história muito divertida, que mostra como um livro pode fazer companhia, e como uma pessoa pode crescer e prender com os livros. Mostra como é o ser humano, e como a amizade é tão importante!

Gostei muito deste livro. Sem dúvida um livro para ter na estante!

Raquel Gama

Fontehttp://eueosmeusmelhoresamigoslivros.blogspot.com/

FEELING… do Queirós

Black Eyed Peas

I Gotta Feeling foi a canção escolhida pelo treinador para a Selecção.

Esta música foi a que mais permaneceu no topo das paradas em 2009 e ganhou indicações para a Canção do Ano e Melhor Performance.

Traduzida como “A energia que nunca acaba” deixa-nos na expectativa da verdade ou mentira quanto à Selecção.

O “Feeling…” tornar-se-á à realidade quanto à nossa equipa? Mourinho diz que não…

Quanto à canção “I Gotta Feeling” é cantada pelo grupo Black Eyed Peas, composto por Apl.De Ap, Taboo e Fergie (vocalistas); Will. I.Anem é o mentor da banda, instrumentista e vocalista.

O grupo nasceu em 1995 em Los Angeles – Califórnia e já recebeu 6

grammys. Gravaram 5 discos, sendo que a “Energia que nunca acaba” faz parte do último disco The E.N.D (2009).

Queirós apoia a Selecção e “I Gotta Feeling”. E quem me lê torce pelas duas ou só por uma?

Decida-se, porque Portugal já entrará em acção a 15 de Junho Contra a Costa do Marfim, às 14 h (hora Portuguesa)

Pesquisa:  Internet + Revista Visão

Manuela Gama

200 palavras

Estava relativamente sossegado, encostado no meu canto, quando uma voz suave me pediu para escrever poucas, mas significativas palavras sobre alguém ou sobre um tema qualquer. (26)

Inicialmente atordoado e algo indignado por tal atrevimento, segui-se-me um manifesto sentimento de vergonha por não acreditar ser capaz de cumprir com hercúlea tarefa. (49)

Propuz-me então escrever apenas umas concisas duzentas palavras. Nem mais nem menos uma, pois não seria justo sujeitar o caro leitor a um texto meu, mais longo e fastidioso do que este. (78)

Poderia optar por abordar temas filosóficos ou existenciais. Porém, estas parcas palavras não serão suficientes e quanto muito iriam confundir ainda mais o leitor. Para além de ser uma enorme arrogância julgar um assunto do qual nem Deus, Alá e Adonai conseguiram resolver juntos. (120)

Poderia então dedicar-me a outros assuntos que julgo serem mais triviais, tais como: a política, sobre a crise ou o futebol. Quanto à política, esta tornou-se demasiado vulgar e pouco credível logo, pouco interessante. Da crise estamos todos mais que fartos e relativamente ao futebol, muito se irá escrever nos próximos tempos, além do que já foi escrito. E, certamente melhor que opinar será optar por ver. (179)

Resta-me contar estas breves palavras e não desiludir se sugerir que, em vez de escrever, me peçam um simples desenho. (200)

Braga 29/05/2010

João Ricardo Correia de Carvalho

O Jardim Encantado

O Jardim EncantadoO Jardim Encantado de Sarah Addison Allen, publicado pela editora “Quinta Essência” – considerado um bestseller do New York Times, é um romance que nos conduz ao mundo da magia e do encantamento, afastando-nos do mundo real, consumista e materialista em que vivemos. Nele encontramos valores como a amizade, a solidariedade e o amor, nas suas diferentes vertentes.

Tem sido o livro mais requisitado nos últimos tempos para empréstimo domiciliário, mas, sobretudo, pelo público feminino.

Gostaríamos apenas de lembrar um número significativo de obras, mágicas ou não, que nos remetem para outras realidades e nos fazem sonhar.

Maria José Oliveira

Equipa do BE.ESCA’s blog

O BE.ESCA’s procura colaboradores!

Pretendemos que este blog seja um espaço interdisciplinar e de partilha. Assim, gostariamos de lançar o desafio: Torne-se colaborador do blog, post o seu conhecimento, partilhe as suas ideias, dê o seu contributo. Inscreva-se no link:

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Inauguração do BE.ESCA

“A DESFAZER-SE”

«A cultura está em erosão.
O espírito está em erosão. Estão os dois a desfazer-se. Estão a desaparecer.
O espírito precisa de se ocupar constantemente eu não morro e nada morre à minha volta (Glenn Gould). Necessitamos das artes para não morrermos.
As artes falam connosco. As artes dizem-nos coisas, não se calam. Não se calam, não nos deixam no silêncio(…) (As artes são) uma ponte em que é possível e interessante existir.
(…) é preciso entrarmos na imaginação; nas histórias, no pensamento, nas palavras; no humor, no pensamento, nas palavras, na relação com os outros.
(…)e é por isso que, (…) nós às vezes estamos muito tristes ou temos a sensação de que a vida desapareceu de cá de dentro»

Texto de VERA MANTERO (Excerto)

Conscientes da necessidade de acompanhar as mudanças e a importância da utilização dos recursos adequados. A Biblioteca da Escola Secundária Carlos Amarante, trabalhando no sentido de contrariar a erosão da cultura, inicia este espaço. Troquemos conhecimentos, ideias e experiências, uma óptima forma de aprender.

A inauguração do BE.ESCA’s blog, acontece numa fase de obras/mudanças na escola, pelo que faltará o champanhe, mas a boa vontade estará sempre presente.