Archive for the ‘ GERAL ’ Category

O mais belo poema de amor

AMOR
Amor? O que é o amor?
O amor é querer estar contigo
É ser o teu abraço e o teu abrigo
É saber que ris por fora e choras por dentro
Amor é ser o teu colo nas horas de sofrimento
É gritar ao mundo, que o amor não é possuir
É saber amar-te sem te ferir
O amor é ver em ti um corpo de homem
Com um coração de criança
É saber segurar a tua mão nas horas de insegurança
É beijar-te o rosto lambendo uma lágrima
É saciar a tua sede, é compreender a tua mágoa
É atenuar o teu desgosto quando a saudade te corrói
Amor é levantar-te quando alguém te destrói
Amor é olhar-te sem medo de te perder
É  deixar-te ir… é deixar-te viver!
Amor  é sussurrar-te ao ouvido
Vai…não tenhas medo do perigo
É contares comigo sem me falar
É ser a tua sorte no teu dia de azar
Amor é entrar nas janelas dos teus olhos
É sentir  tua alma, é semear alegria aos molhos
É sentar na beira do rio
É ser o teu calor, quando o teu corpo está frio
Amor é ser tua Mãe, tua amante, tua amiga…
É ser todas as mulheres
É ser tudo o que imaginas, é ser o que tu quiseres
Amor é suportar a tua ausência
Amor é ser força e resistência
É caminhar lado a lado, sem ter receio do caminho
É ver a vida a dois é não te sentires sozinho!

Eduardo Dias (12º Z) — 1º prémio de poesia

Manta… buried Tales

Os lembretes do Luís Carmelo para a crónica mensal da PNETLiteratura começam a arribar bem cedo no mês. E repetem-se periodicamente com regularidade anglo-saxónica. Não me assiste, pois, razão alguma que justifique guardar para a última hora o envio desta. E no entanto aconteceu. Adiei para hoje, preguiçoso dia de rescaldo do Natal. Por coincidência, a meteorologia, que não nos deu um white Christmas, também começou cedo a anunciar que despejaria sobre nós, hoje e amanhã, uma volumosa carga de neve. Que chegou certeira, como eu mesmo contatei quando há pouco fui lá fora abastecer-me de lenha para dois dias de lareira.
Neve e lareira rimam com lazeira. Em paisagem completamente branca e gélida a entrar-me pelas janelas (o casario envolto em alvíssimo, espesso manto) a contrastar com o laranja-encarnado do lume aquecendo física e psicologicamente o aconchego do sofá, manta sobre os joelhos, só me lembro de Paul Lafargue no seu Le Droit à la Paresse e juro-me: hoje não escreverei linha para além de um ou outro descontraído e-mail. Por isso, para cumprir o prazo, terei de recorrer a estorietas que estes dias fui alinhavando no diário e donde roubarei algumas:

1. À mesa de almoço de Natal aqui em casa com a família nuclear, a bem de conversa, contei da entrevista dada por um “alálogo” (imagino que não se deva dizer “teólogo” tratando-se de um muçulmano) procurando desculpar o tratamento da mulher no mundo islâmico. Segundo ele, era necessário compreendermos o contexto cultural da emergência da religião islâmica, pois nessa altura as mulheres eram tratadas como animais. Tem sido – dizia ele – enorme o progresso. E que nós ocidentais não nos armássemos em convencidos, porque as diferenças não são assim tão acentuadas. Mesmo no Ocidente as mulheres ainda estão bem longe de serem iguais aos homens, ocupando lugares de relevo ao nível dos deles.
O Duarte, sempre rápido nos seus comentários irónicos: Tem toda a razão! Ainda há dias, numa reunião da nossa empresa, uma mulher começou a dizer umas coisas de que discordávamos e foi imediatamente apedrejada. Resultou em cheio, calou-se logo.

2. Regressados do longe para a festa de Natal em família, os filhos tinham já reencontrado alguns amigos do tempo de escola. Falavam do Jason, um colega do Duarte e da Tatyana na secundária. A Tatyana tinha-se cruzado com ele na véspera com uma nova namorada – ao que parece não consegue aguentar muito tempo com nenhuma – e, pelo que ficara a conhecer da moça, vaticinava curta duração para o namoro. Porquê? – perguntou o Duarte – Porque ela tem emoções?

3. Traduzo do inglês esta recebida há dias da Califórnia:
Um indivíduo queixa-se que foi sempre pessoa de pouca sorte: Até na minha infância, quando eu acreditava no Pai Natal, imaginem vocês, os meus pais também acreditavam!

4. Para fechar com alguma propriedade, vai uma literária.
À lareira, terminei A Vendedora de Cupidos, do José Leon Machado, um caso notável de autor de já dez obras de ficção, metade delas editadas na sua própria Edições Vercial, porque o escritor faz questão de não deixar os seus direitos por mãos alheias. Um romance de 450 páginas confirmando a excelência de um narrador capaz de engendrar uma estória complexa, repleta de caracteres vivos e autênticos (todos uns individualistas bem acabados, cada qual procurando fazer pela vidinha) muito bem contextualizados historicamente na Gralheira, fictícia aldeia do Minho, durante a Segunda Guerra Mundial. O elenco inclui, como não podia deixar de ser, um padre mulherengo, activo, e em forma. A leitura prende até ao fim num desenrolar ritmado de voltas e inesperadas contravoltas. Tradicional na estrutura, a escrita é leve mas não light. O autor  (professor na UTAD) mostra garra. Confirma-a, aliás, porque há muito a tem vindo a revelar.

Transitei de seguida para Philip Roth – a novela The Humbling. A poucas páginas desta estória sobre um actor de teatro em fim de carreira, irreparavelmente deprimido (como poderia um protagonista de Roth não estar deprimido?!) e com tendências suicidas, o narrador conta aquela de outro actor que bebia sempre antes de subir ao palco. Não deves beber! – admoestaram-no. O quê?! E ir para ali sozinho, não?!

E aí fica assim cumprido o prazo sem violar o meu direito à preguiça. Até o título surgiu de um preguiçoso relancear a estante, ao deparar com a lombada de Canterbury Tales, de Chaucer.

Onésimo Almeida

O Feitiço da Lua – Sarah Addison Allen

O Feitiço da Lua

Sarah Addison Allen

Quinta Essência

 

 

 

 

 

Este é o terceiro livros desta escritora americana. Os seus livros anteriores foram vendidos em vários países e receberam alguns prémios. Este provavelmente irá ter o mesmo sucesso que os antecessores, porque continua a mesma escrita mágica e o mesmo encanto de história e de personagens.

 

Já li os outros dois livros desta autora, e logo que vi que tinha saído um terceiro comprei. Não li a sinopse, não li resumos, não li opiniões. Deixei-me mergulhar no desconhecido, sem saber do que tratava a história e sem ser influenciada por quaisquer tipos de críticas.

Adorei!

O universo da Sarah Addison Allen é fantástico. Ela consegue conjugar uma história muito real com pequenos pormenores mágicos. Uma história com pessoas e vidas comuns, com problemas reais e actuais, passada numa cidade mágica, em que algumas pessoas condizem com essa magia. É uma história real passada num conto de fadas

As personagens são soberbas. A escritora consegue sempre criar uma relação da personagem com a comida, uma relação mágica e encantador, que torna o desenlace maravilhoso.

Uma das nossas protagonistas, Emilly, tem um quarto mágico. As paredes estão forradas por um papel mágico que se modifica consoante o estado de espírito do seu habitante. Tanto se podem encontrar alfazemas, como borboletas enfurecidas, um céu estrelado, ou até uma cor escura aveludada, com riscas amarelas, que se abrem e fecham, dando ideia de portas e janelas. Um quarto mágico. Emily, uma rapariga normal, que “cai de pára-quedas” numa casa com um quarto incomum. Vive com o avô, que tal como o quarto foge a qualquer tipo de convenção. Ele é um gigante. Não estou a exagerar ou a querer dizer algo sem sentido. O seu avô mede muito mais de dois metros, tão alto que se destaca numa avenida cheia de gente, e faz com que cada pessoa que passe por si se sinta uma autêntica formiga. Emily cria amizade com Julia, uma mulher com uma adolescência problemática, que marcou toda a sua vida. Hoje, volta para a sua cidade natal com intenção de aí permanecer aí pouco tempo porque teme passar por todo o sofrimento e solidão que ali sentiu no passado. É uma pasteleira. Cozinha bolos que encantam todos os habitantes da cidade, apesar de não ser esta a finalidade dos seus doces. Ela quer atrair a felicidade que nunca pôde ser sua: quer atrair as pessoas que mais ama e que se viu obrigada a deixar.

Apaixonei-me por estas histórias com O Jardim Encantado, e há alturas em que penso se realmente não há neste mundo cidades onde isto é possível. Onde existe um toque de magia que permite as pessoas serem verdadeiras e felizes.

Este livro traz este toque de magia tão único, que ajuda as pessoas a verem como a vida é bonita, e dá para pensar como realmente tudo acontece por uma razão!

 

Se gostaram de O Jardim Encantado e d’O Quarto Mágico não percam a oportunidade de o ler!!!

 

Raquel Maria Gama

 


SARAMAGO – Aniversário de nascimento – 16 de Novembro

José Saramago«A Maior Flor do Mundo» é um conto infantil escrito por José Saramago onde o autor conta que teve uma ideia para um livro infantil, mas considera que não tem capacidade para tanto.

É a história de um menino que ajuda a crescer a maior flor do mundo; se o autor tivesse as qualidades necessárias para fazê-lo, essa história “seria a mais linda de todas as que se escreveram desde o tempo dos contos de fadas e princesas encantadas…”.

Eis aí a grandiosidade do conto, a magia da brincadeira, típica de Saramago: os leitores são envolvidos na história não como algo acabado, mas como o esboço de algo que seria a melhor história do mundo se o escritor “soubesse escrever livros para crianças”.

A maior flor do mundoA obra ganhou o Prémio Nacional de Ilustração para livros infantis publicados em 2001, pelo trabalho de João Caetano (ilustrador). E a este propósito, o Júri sublinhou “a criatividade, a força e o estilo pessoal destas ilustrações que, pela forma e técnica utilizadas tornam a obra numa peça coerente e única em articulação com o primeiro texto que José Saramago escreve especificamente para crianças”.

Posteriormente, Juan Pablo Etcheverry fez uma curta-metragem de animação (em galego) baseada no conto, onde José Saramago aparece como personagem e é narrador. Apresentamo-la abaixo, para que os leitores possam assim antecipar a fruição deste belíssimo conto.

A Fundação José Saramago tem em desenvolvimento um atelier itinerante para escolas e bibliotecas sobre este livro em particular. Para saber mais, ir a http://amaiorflordomundo.wordpress.com/

Manuela Gama

Testamento vital. Suicídio assistido. Eutanásia

Drª Laura SantosNo passado dia 05 de Novembro, sexta-feira, às 10.00 horas, no auditório da ESCA, foi realizada uma conferência sobre o(s) tema(s) em epígrafe pela Professora Doutora Laura Santos, da Universidade do Minho. Assistiram e participaram na sessão alunos de diferentes turmas e vários professores, sobretudo da área de filosofia, os quais lotaram por completo o espaço disponível.

A conferencista foi apresentada pela Dra. Manuela Gama, coordenadora da Biblioteca, e promotora do evento. Para além de ambas, tiveram assento na mesa, uma professora que representava o grupo de filosofia e um dos alunos que representará a Escola no Parlamento, com o tema a eutanásia.

Iniciada a conferência, a Dra Laura Santos começou por definir vários conceitos, entre os quais os de testamento vital, suicídio assistido e eutanásia. E fê-lo de modo claro e acessível, procurando, em cada caso, o enquadramento histórico, nalguns casos remontando à antiguidade grega, e a contextualização actual, a nível do mundo contemporâneo, com destaque para países como a Holanda, a Bélgica e o Luxemburgo, países da Europa em que a eutanásia está legislada, e de alguns estados dos EUA, como o estado do Oregon, em que há suicídio assistido.

Por testamento vital entende-se uma declaração em que alguém manifesta antecipadamente a sua vontade sobre o que deve/pode ou não deve/não pode ser feito em termos clínicos, relativamente a si próprio, em situação pessoal de doença progressivamente incapacitante e irreversível, em determinadas condições. O suicídio assistido é diferente de eutanásia. Na eutanásia, termo que deriva do grego e significa “morte suave”, é o médico que actua, por vontade do doente, quando não haja possibilidade de recuperar de enfermidade progressiva e radicalmente incapacitante ou de atenuar condições de vida que se traduzem em sofrimento insuportável e indigno ou de evitar uma morte próxima horrível e dolorosa. No suicídio assistido é à pessoa que cabe o último gesto, é o próprio que põe termo à vida. O suicídio assistido na Suíça é praticado com os próprios suíços e também com os estrangeiros. Como o nome indica é um acto assistido por um médico ou pessoa/organização voluntária e colaborante. Corresponde ao cumprimento da vontade expressa, assumida e mantida pelo paciente, de modo lúcido, sem que se verifique depressão clínica, e com a possibilidade de ele, a todo o tempo, mudar de ideias. Não cabe neste âmbito o suicídio impulsivo. Há ainda outros conceitos, como o de eutanásia passiva, expressão que significa “o desligar das máquinas” em situações terminais e se deixa o doente morrer…

Ao suicídio assistido e à eutanásia pode chamar-se morte assistida. Cuidados paliativos não são morte assistida.

Por ser tão claro o modo de discurso e a simplicidade da linguagem não houve, da parte da assistência, dificuldades de compreensão nem se levantaram dúvidas ou questões durante a exposição.

A conferencista afirmou também que os principais obstáculos à aceitação das ideias que expôs radicam essencialmente em valores veiculados tradicionalmente pelas religiões, como é o caso da religião católica. Salientou, no entanto, que há linhas católicas favoráveis à morte assistida. E pronunciou-se em concreto sobre o princípio cristão que afirma “não faças aos outros o que não queres que te façam a ti”, interrogando a plateia sobre se não deveria ser substituído por outro formulado de modo diferente: “faz aos outros o que eles querem que lhes seja feito”, a fim de que se respeite a sua vontade.

Outro aspecto referido pela Dra Laura Santos foi o de que o estado, para além de não ter religião, não deve interferir em certas esferas, como as respeitantes aos temas abordados, por não ser conveniente nem aceitável nem vantajoso que se intrometa em questões do foro íntimo das pessoas. E, pelos mesmos motivos, rejeitou a possibilidade de tais assuntos serem decididos por referendo.

Terminada a exposição, e aberta a sessão a perguntas, foram levantadas algumas questões, tais como:

• No contexto da sociedade portuguesa, e nas actuais circunstâncias, de crise acentuada, em que muitas pessoas sem suficiente formação (capacidade de leitura, de interpretação e de escrita…) se sentem aflitas por não terem emprego, e com falta de dinheiro para alimentação, vestuário, habitação e saúde, elaborar leis sobre morte assistida não é legislar para um público-alvo muito restrito (no limite poderíamos dizer que há um pequeno número de pessoas que, tendo passado confortavelmente a vida, exigem ainda que as aliviem das agruras da morte)? Nesta perspectiva, para a grande maioria das pessoas, de que servem tais leis? Ignoramos a realidade dessas pessoas? E se essas pessoas, por a vida lhes ser um fardo tão dolorosamente pesado, pedissem a eutanásia, deviam ser atendidas?

• A aprovação de leis sobre o suicídio assistido e a eutanásia não corre o risco de banalizar a ideia de morte e até a conveniência dela para o caso de idosos, doentes, desprotegidos, deficientes e desenraizados sociais? Que consolo ou compensação sente alguém que não tem pão, nem casa, nem trabalho, nem família, nem amigos, nem saúde, por saber que tem direito à eutanásia?

• Não é demasiado perigoso adoptar o princípio de que devemos fazer a alguém não o que os nossos princípios ditam mas o que essa pessoa quer que lhe façam? Qual é nesse caso o papel das convicções, da sensibilidade e da racionalidade de cada um? Como pode cada um saber, em todos os casos, o que é que o outro quer verdadeiramente? O que a intuição lhe diz que o outro quer/precisa? Ou (tão só) o que o outro diz que quer? E se o outro não está em condições de serenidade e lucidez? Não pode, nestas circunstâncias, estar-se a abrir a porta à manipulação e ao crime?

Dada a escassez de tempo, a conferencista respondeu de modo breve às questões levantadas, tendo referido que realmente um testamento vital é feito normalmente por pessoas muito motivadas e que em Portugal, por exemplo, quem os faz são advogados. Já o perigo de a eutanásia começar a ser aplicada a idosos, em sua opinião não é de temer pois quem a pede são sobretudo pessoas com doenças incuráveis como cancro e doenças nervosas degenerativas, e não os mais velhinhos.

A sessão encerraria com um momento musical protagonizado pela professora Maria Quitéria Mateus, que cantou uma canção intitulada “ay linda amiga” (com letra de um anónimo espanhol do século XVI) a que se seguiu um dueto de alunos guitarristas/cantores, a aluna Patrícia do 10º I e o aluno Tomás do 10º J. Estas actuações foram muito apreciadas e aplaudidas.

E pareceu consensual a ideia de que há assuntos que por maiores diferenças de opinião que suscitem é na escola e com a juventude que devem ser claramente apresentados e honestamente debatidos. Como foi o caso.

Cabe pois agradecer à organização, à conferencista e aos participantes.

José Batista da Ascenção – Professor de Biologia

Muitos tostões fazem milhões

OpenOfficeEm tempos, a propósito de finanças públicas, li uma historieta envolvendo um parlamentar americano. Dizia ele que, com o orçamento do estado, há que ter muito cuidado: «Milhão aqui, milhão ali, e quando damos conta já estamos a falar de dinheiro a sério.»

É verdade, para o estado e para os particulares. Não chega olhar para os grandes números. É preciso olhar para cada um deles para perceber onde estamos a gastar demais. Por vezes, tudo o que gastamos em certas operações é demais! Um exemplo, apenas.

Será difícil encontrar em Portugal, na administração pública ou entre os particulares, um computador que não tenha instalado o Microsoft Office. A versão mais simples, com licença para um computador, custa 100 euros aos particulares. O estado consegue preços mais baixos, com o licenciamento em quantidade, mas é provável que gaste todos os anos alguns milhões em novas licenças. O ridículo é que é possível encontrar programas equivalentes inteiramente gratuitos. É o caso do Open Office, composto por um processador de texto, uma folha de cálculo e um editor de apresentações em tudo equivalentes aos conhecidos Word, Excel e PowerPoint. Além disso, dispõe de um sistema de gestão de bases de dados semelhante ao Access, de um editor gráfico e de um editor de equações. Como disse, tudo isto é inteiramente gratuito e recebe actualizações frequentes. Neste momento, está em uso a versão 3.2.1, mas a versão 3.3 está já em teste.

O Open Office tem ainda a vantagem de poder ler os documentos gerados pelo Microsoft Office e gravá-los no formato Open Office. A possibilidade de gravar qualquer documento directamente no formato PDF é outra vantagem. Aos mais renitentes, digo que uso esse programa há 3 anos sem qualquer problema.

Está à espera de quê para experimentar?

 

Jorge Santos

Tenda dos Milagres

Tenda dos Milagres, de Jorge Amado

 

Jorge AmadoHá livros que se lêem, nos dão um efémero prazer, e depois desaparecem da nossa memória como se nunca tivessem existido. Outros tocam-nos tão profundamente que nunca mais os esquecemos. Para mim, Tenda dos Milagres é um deles.

Tudo começa quando o sábio americano James D. Levenson, numa rápida conferência de imprensa, no momento em que chega à Baía, se refere ao «fascinante Pedro Arcanjo, em cujos livros a ciência é poesia». Ora, ninguém, entre os presentes, jamais ouvira falar nesse Pedro Arcanjo.

A partir daqui, o narrador relata os esforços da imprensa baiana, primeiro, para descobrir quem é afinal esse desconhecido, falecido há muitos anos, e depois para capitalizar a comemoração do centenário do seu nascimento. Paralelamente, vai-nos desvendando o percurso desse baiano, afinal um homem do povo, antigo bedel da Faculdade de Medicina. Não por acaso, a imagem que a imprensa e as elites cultas vão construindo afasta-se muito da figura que os relatos dos seus contemporâneos revelam.

Este romance exprime, mais uma vez, a admiração do autor pelo povo baiano e a sua cultura, assentes na miscigenação étnica e religiosa.

 

Jorge Santos

A bancarrota e Os Maias

Eça de QueirósHá meses, por razões profissionais, reli (como sempre, com prazer) alguns episódios de Os Maias, entre eles o do jantar no Hotel Central, organizado por Ega para apresentar Carlos a alguns representantes da alta sociedade lisboeta. Durante o jantar, Ega procura confirmar com o banqueiro Cohen os rumores de que o governo está a negociar com a banca um novo empréstimo: «– Então, Cohen, diga-nos você, conte-nos cá… O empréstimo faz-se ou não se faz?».

O banqueiro, lisonjeado pela atenção dos companheiros, confirma a inevitabilidade do empréstimo público e acrescenta que «A única ocupação mesmo dos ministérios era esta – “cobrar o imposto” e “fazer o empréstimo”. E assim se havia de continuar…». Palavras premonitórias, as de Cohen! Era assim no século XIX, foi assim durante o século XX, continua assim neste início do século XXI.

A reacção de Carlos é a de qualquer pessoa sensata, dizendo que «desse modo, o país ia alegremente e lindamente para a bancarrota», o que é confirmado, cinicamente, por Cohen: «- Num galopezinho muito seguro e muito a direito».

Ao reler esta passagem, com a actual crise financeira em fundo, ocorreu-me que:

  • Nestes últimos cento e tal anos o país não mudou tanto como parece;
  • Há problemas que permanecem, não porque sejam insolúveis, mas porque não procuramos a solução adequada para eles;
  • Um livro antigo pode ser actual;
  • Precisamos ler mais, sobretudo textos que falem de nós, como povo e como país.

Jorge Santos

Alegria! Alegria!

Alegria! Alegria!
Ó céu do meu País,
Onde as nuvens até são quase luminosas;
Ó sol de Maio a rir nos canteiros de rosas,
Ó sol alegre, ó sol brilhante, ó sol feliz
Para quem o Inverno é um momento apenas;
Sol de ingénuas manhãs e de tardes serenas,
Ó sol quente de Julho, ó sol das romarias
Queimando e endoidecendo as multidões sadias;
Sol candente do Algarve, ó sol doce do Minho,
Florindo amendoais, ou espumar no vinho;
Sol das searas de oiro e vergéis de Outono
Palpitantes de cor como um largo poente;
Sol que ao dormir a terra o seu fecundo sono
Lhe dá sonhos de luz, voluptuosamente;
Sol das eiras do milho e da roupa a corar
Sol dos verdes pinhais e das praias trigueiras,
Ó sol moreno e forte a resplender no mar
Tisnando as carnaçõesmais as velas ligeiras;
Ó sol moreno, ó sol alegre, ó sol feliz,
Sendo ainda clarão na hora da agonia,

— Canta a glória da Luz, canta a glória do dia,
em todo o meu País!

João de Barros

Homenagem a José Saramago

1922-2010

Ontem faleceu o primeiro e único Nobel da Literatura Portuguesa..
Ontem morreu um grande homem..um grande escritor..
Os livros choram…
E nós choramos com eles..
Adeus…
Iremos reviver-te nas tuas páginas..

Raquel Gama

Retirado do blog: http://www.kelaraparigadoslivros.blogspot.com