200 palavras

Estava relativamente sossegado, encostado no meu canto, quando uma voz suave me pediu para escrever poucas, mas significativas palavras sobre alguém ou sobre um tema qualquer. (26)

Inicialmente atordoado e algo indignado por tal atrevimento, segui-se-me um manifesto sentimento de vergonha por não acreditar ser capaz de cumprir com hercúlea tarefa. (49)

Propuz-me então escrever apenas umas concisas duzentas palavras. Nem mais nem menos uma, pois não seria justo sujeitar o caro leitor a um texto meu, mais longo e fastidioso do que este. (78)

Poderia optar por abordar temas filosóficos ou existenciais. Porém, estas parcas palavras não serão suficientes e quanto muito iriam confundir ainda mais o leitor. Para além de ser uma enorme arrogância julgar um assunto do qual nem Deus, Alá e Adonai conseguiram resolver juntos. (120)

Poderia então dedicar-me a outros assuntos que julgo serem mais triviais, tais como: a política, sobre a crise ou o futebol. Quanto à política, esta tornou-se demasiado vulgar e pouco credível logo, pouco interessante. Da crise estamos todos mais que fartos e relativamente ao futebol, muito se irá escrever nos próximos tempos, além do que já foi escrito. E, certamente melhor que opinar será optar por ver. (179)

Resta-me contar estas breves palavras e não desiludir se sugerir que, em vez de escrever, me peçam um simples desenho. (200)

Braga 29/05/2010

João Ricardo Correia de Carvalho

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